Feviana movimenta o Campus Viana com ciência, tecnologia e protagonismo feminino
Integrada à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, programação reúne palestras, oficinas, seminários e apresentações de projetos nos dias 26 e 27 de outubro.
A Feira e Mostra de Ciência, Tecnologia, Inovação e Humanidades de Viana-ES (Feviana) movimenta o Campus Viana do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) nesta segunda e terça-feira (26 e 27). Com seminários acadêmicos, apresentações de banners, oficinas, palestras e projetos, o evento promove a troca de conhecimentos e aproxima estudantes da ciência, da tecnologia e do mundo do trabalho.
A Feviana integra a programação da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que tem como tema “Ciência Delas”. Nesta segunda-feira, as atividades contaram com a participação de profissionais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da ArcelorMittal Brasil, além de estudantes do 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Adamastor Furtado.
Segundo a coordenadora da Feviana, professora Soraia Cristina Braga, o evento aproxima os estudantes da iniciação científica e tecnológica e os envolve diretamente em sua organização. “Cada série ficou responsável por uma atividade, e nossas alunas e alunos organizaram tudo, desde a decoração das salas até a produção acadêmica que vão apresentar”, explicou. Para a docente, o tema “Ciência Delas” também contribui para promover relações de gênero mais equânimes no cotidiano do campus. “Nosso papel, como educadoras e educadores, é promover um ambiente saudável, livre de opressões de gênero, raça ou condição social, entre outras. Ao conhecerem os feitos de mulheres cientistas, meninos e meninas também aprofundaram a reflexão sobre o papel dessas mulheres na sociedade”, destacou.
Tecnologia e presença feminina na PRF
A policial rodoviária federal Ana Carolina Albuquerque Cavalcanti ministrou a palestra “Ciência e Tecnologia em Ação: o Protagonismo Feminino nos Bastidores da Polícia Rodoviária Federal”. Jornalista de formação e integrante da corporação desde 2013, ela atua nas áreas de Comunicação Social e Direitos Humanos da Superintendência da PRF no Espírito Santo.
Acompanhada pelas inspetoras Jessica Lopes e Jessica Nogueira e pelo inspetor Luciano Busato, Ana Carolina Cavalcanti apresentou tecnologias utilizadas no cotidiano da corporação. Entre elas, um sistema integrado de informações acessível por aplicativo, radares móveis, etilômetros digitais, trenas e armas não letais. A atividade também contou com a presença de Joceir Nunes, superintendente executivo, e de Wemerson Pestana, superintendente regional da PRF no Espírito Santo.
“Nossos equipamentos são fundamentais para que o trabalho se torne mais ágil e eficiente, contribuindo para a segurança das pessoas que protegemos nas rodovias ou em nossas operações”, afirmou.
A palestrante também destacou as possibilidades de atuação para profissionais de diferentes formações e incentivou as estudantes a considerarem a PRF como uma opção de carreira após o ensino superior. “A presença feminina tem aumentado muito nos últimos concursos, e a PRF é uma instituição que reconhece e respeita a participação das mulheres”, ressaltou.
Conexão com o mundo do trabalho
A logística e suas possibilidades profissionais foram o foco da palestra “Cadeia de Suprimentos Estratégica na ArcelorMittal: Produtos, Serviços, Processos e Principais Projetos Logísticos”, ministrada por Flávia Calmon Motta, Lead Buyer de Infraestrutura Logística na ArcelorMittal Brasil.
Com mais de 20 anos de experiência, Flávia apresentou aspectos práticos das operações da empresa e relacionou os conhecimentos desenvolvidos na formação técnica aos desafios do ambiente corporativo. A proposta do encontro surgiu de conversas com Bianca, estudante do curso de Logística, e de uma aproximação anterior com uma turma do campus durante uma visita técnica à empresa.
Para a palestrante, esse contato ajuda os estudantes a compreenderem a diversidade de caminhos profissionais. “O mundo da logística é um mundo muito aberto. Eles podem trabalhar em várias áreas”, destacou.
Flávia também incentivou os alunos a investirem na própria formação e no aprendizado de novas tecnologias, incluindo aplicativos e inteligência artificial. “Estudem, estudem muito, porque isso é muito importante”, aconselhou.
Aprendizado e descoberta
Os estudantes da Escola Adamastor Furtado participaram das atividades ao lado dos alunos do Ifes. Entre as visitantes, Kimberli Fernandes, de 15 anos, conheceu o meliponário e acompanhou apresentações das turmas dos primeiros anos.
Uma delas abordou a trajetória de Cristiane Pankararu, liderança indígena do povo Pankararu, de Pernambuco, geógrafa e doutoranda em Antropologia Social no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Kimberli destacou a defesa da participação das mulheres indígenas na política e a atuação em favor do meio ambiente e da justiça social. “Eu não a conhecia e me identifiquei com as ideias dela. Pretendo saber mais”, contou.
Na oficina de realidade virtual, Amanda Gunder, estudante do 3º ano do Ifes, compartilhou conhecimentos aplicados ao curso de operador de empilhadeira ofertado pelo instituto no início deste ano. A atividade permitiu que estudantes das duas instituições experimentassem recursos tecnológicos voltados à aprendizagem.
“Eles ficaram muito interessados, pois, por meio dos óculos, é possível conhecer detalhes do funcionamento de um equipamento em uma linguagem gamificada”, explicou Amanda.
Para ela, a experiência também pode incentivar os visitantes a ingressarem no campus. “Acho importante eles perceberem que, a cada ano, nosso laboratório vai ficando cada vez melhor, com mais equipamentos e recursos. Acho que ficaram empolgados em vir estudar no Ifes no próximo ano”, avaliou.
Ciência Delas
Coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia acontece de 26 de outubro a 1º de novembro, com atividades gratuitas em diferentes estados.
Com o tema “Ciência Delas”, a edição de 2026 destaca a participação feminina no desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. A proposta é reconhecer as contribuições de pesquisadoras, incentivar meninas a ingressarem em carreiras científicas e ampliar o acesso da população ao conhecimento e às novas tecnologias.
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